As Amigas da Casa do Sol

A amigas da Casa do Sol Amarelo

Onde estivessem não importava o tempo

O ponteiro do relógio parava

no consciente do inconsciente

não importava os olhares dos transeuntes

o barulho do transito da avenida movimentada

cada ocasião era mais que especial

tinha um toque de mágica era inusitada

as namoradinhas estavam ali

ao seu lado, parecia evidente a felicidade excitante

estampada no rosto com sorriso

e um tom de cumplicidade

seria a primeira vez que tivera duas namoradinhas?

ou melhor duas garotas interessada?

as namoradinhas pareciam duas adolescentes ao seu lado

apaixonadas compartilhavam da mesma amizade

no metro sempre em direção a um ato

de manifestação feminista contra a hipocrisia e opressão machista

o par de olhos grandes transparentes cristalinos

parecia expressar sentimentos tão profundos

certa ocasião pingos grandes e fortes de chuva

atravessavam a echarpe que segurava com as mãos

nos braços abertos para proteger a amiga

andavam apressadamente para fugir do tilintar da água e ao mesmo tempo

aquela echarpe voava entre a chuva espaçada que caia do céu azul

e o reflexo do sol dourado naquele fim de tarde

na salinha haviam pausas concentradas para leitura de textos teóricos,

cartas de amor e de amizade eram momentos de dupla concentração

para quem lia e quem escutava atentamente

foram momentos no tempo de encontros

e desencontros, descobertas poéticas, afeto e afinidades

no meio das flores foram histórias das amigas na Casa do Sol

que tiveram o prazer de compartilhar a amizade

com ternura e cumplicidade

Quem é a autora?

Fátima Freitas

Paulista, Assistente Social, militante do movimento feminista e autora do livro de poesias As amigas da Casa do Sol, publicado em 2016. Participou da Antologia Poética Senhoras Obscenas, em 2016.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *