Para ver Paulinho passar

Suspensa a pausa de mil compassos

“Para onde os dias passam?”

 

Não, que não haja tensão em absoluto com um dos deuses mais lindos

Que eu passe cheia de graça, asas de borboleta

escrava de toda beleza, feito porta-bandeira

Ó pássaro de natureza vaga, livrai-me do amargor de seus dentes de chumbo

Dancemos, pois (danço eu, dança você…)

 

I. Dos sentimentos que não enganam

 

no centro do nada

o peso da pedra

 

II. Das ações impossíveis

 

Voltar – é estar de novo

num novo lugar

Movimento circular e reverso

entre o eu e o regresso

O tempo é outro

(meu tempo é hoje – eu sou assim)

Não há retorno

– uma passagem –

é sempre só de ida

lunar

 

III. Da maturação lenta que transforma em diamantes

 

(des) peço

Desnuda e oblíqua

(de) canto em silêncio

na morada da lua

feito caranguejos lentos

que só se olham em conchas

nos anos bissextos

 

Vidraçaria Infinito

Nada ofende mais do que sobreviver a naufrágios

 

Quem é a autora?

Márcia Fráguas ou Márcia Cris Effe

Geminiana com ascendente em gêmeos, ou seja, é o duplo de si mesma e já foi muitas pessoas nessa vida. Atualmente é poeta em processo, faz mestrado em literatura brasileira na USP, em busca das relações entre poesia e música popular. Gosta de café preto sem açúcar e canções de Paulinho da Viola. Acredita que a estrada começa onde cessa o sorriso com dentes de chumbo.

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