Eles NUNCA!

Sou mulher com deficiência física brasileira,

Sou guerreira! Por isso GRITO:

Jair, João e tantos outros machistas NUNCA passarão!!!

Nesta Eleição e em nenhuma!

Simplesmente, porque NÃO!!!

 

Chega de TORTURAS!!!

Chega de FEMINICÍDIOS!!!

Chega de TRABALHO ESCRAVO!!!

Chega de RACISMO!!!

Chega de CAPACITISMO!!!

Chega de INTOLERÂNCIAS RELIGIOSAS!

Chega de GORDOFOBIA!!!

Chega de HOMOFOBIA!!

Chega de VIOLÊNCIA SEXUAL E ESTUPROS!!!

Chega de PEDOFILIA!!!!

Chega de AGRESSÕES AOS IDOSOS!!

Chega de PRECONCEITOS!!

 

Todas as MULHERES (cis, trans, hetero ou homo) unidas hoje, AGORA!

 

E até chegar o dia em que não seja mais preciso GRITAR:

 

EU TENHO DIREITO DE EXISTIR, EXATAMENTE COMO SOU!!!!!

 

Na DEMOCRACIA você pode não concordar e opinar…

 

Mas NÃO TEM o direito de DISCRIMINAR, DESTRUIR, DESMORALIZAR, AGREDIR, ANIQUILAR!!!

 

REPITO: NÃO TEM o direito de DISCRIMINAR, DESTRUIR, DESMORALIZAR, AGREDIR, ANIQUILAR!!!

 

Independente de partidos políticos, AGRESSORES VERBAIS E FÍSICOS NÃO PASSARÃO!!

 

Sou mulher com deficiência física brasileira,

Sou guerreira! Por isso GRITO:

Jair, João e tantos outros machistas NUNCA passarão!!!

Nesta Eleição e em nenhuma!

Simplesmente, porque NÃO!!!

 

Leandra Migotto Certeza, jornalista, estudante e escritora com deficiência física com muito orgulho. Nasceu em 1977, e desde 1996 é Ativista em Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência. Hoje GRITA seus DIREITOS para amanhã VIVER em PAZ em um mundo sem qualquer DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITOS!

BLOG: http://leandramigottocerteza.blogspot.com/

Eu sou Mariana

Pela memória das minhas avós Ana e Maria #Elenão

Minha avó paterna teve 12 filhos. Não a conheci. Um filho atrás do outro. Até hoje, meu pai me pega pelo canto pra chorar suas mágoas. Vó Mariinha, como sofreu.

Bonita, mulher refinada. Nas ruas da cidade de Três Lagoas – Mato Grosso do Sul, que já foi pequenina e hoje é capital da celulose, ouço dizer: Vó Mariinha, que mulher amorosa. Acreditava no desenvolvimento cultural da cidade, era mulher culta. Ah, vó Maria, como gostaria de ter te conhecido. Estudou em grandes colégios de São Paulo, em escolas exemplares.

De vó Mariinha, pai Francisco, conhecido como Chiquinho na cidade, herdou a elegância, a fala mansa, a gentileza de um lorde.

À vó Mariinha sua sina era certa, voltar para a cidade do interior, ir pra fazenda Jardim e ser mulher do fazendeiro rude, simples, sem muita educação formal. Vô Afonso. Pelo menos ele tinha fazenda. Juntar as fazendas e está aí um belo casamento patrimonial.

E o amor? Ah, este amor romântico da pós-modernidade.

Pois é. E assim viveu Mariinha e vô Afonso.

E dizem que vô Afonso não podia ver uma mulher. Por ele não passava uma, e o que ele passava era o “rodo”, como dizem. Era trabalhador, te agradeço, por isso todos os filhos ganharam seus pedaços de terra. Vó Mariinha sofria.

E em meio tempo que vó Maria paria seus filhos de forma sofrida, cuidando-os sem muito apoio do marido, além de meu pai Chiquinho e seus 11 irmãos, nasceram Donizetti e Inácio, filho da dona Geralda, empregada da fazenda.

Vó Mariinha era doce e exigente. Seu sonho passou a ter uma casa na cidade, para criar em paz seus 11 filhos. Muito pouco, perto da sua inteligência, potencial e educação. Não ganhou da vida, não ganhou  de seu “marido”. E até hoje, passados tantos anos, meu pai chora. Eu choro junto.

Divorciar de um marido infiel? Mulher separada, jamais.

Vó Mariinha viveu apenas até os 49 anos, muito doente. Doença que foi com ela acabando. Falta de sonhos, falta de vida, falta de amor. Quem saberá?

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Vó Ana. Adorava comer os quitutes da vó Ana. Chipa, pão de queijo, o café doce. Fugia pra casa da vó Ana para tomar o seu delicioso café.

Vó Ana foi firme, na sua condição que te permitia. Foi parceira do vô Nego, este desbravador e destemido e que como lutou para ter conseguido, por ser negro e sem muitos recursos, e provar pra si mesmo e pra toda a sociedade, conquistar o seu pedaço de terra.

Vó Ana tirava sapatos sujos de vô Nego quando ele chegava da fazenda. Tirava todo o barro sujo e com carinho cuidava.

À querida e falecida vó Nenzica passei a entender. Vô Nego gritava, esbravejada, resmungava – Vó Nenzica, faz o café! Nenzica, liga a televisão! Desliga. Nenzica, tira a mesa! Cadê meu doce, Nenzica.

Vó Nenzica estava triste, abaixava a cabeça, e, como uma escrava, respeitava. E se desligava. Te entendo, vó. Criou seu mundo de bobby. Ficou aérea, se desligou. E foi assim que aprendeu a viver neste mundo de homens que mandam.

—–

Eu tenho 37 anos e tenho muitos sonhos. Sou uma menina. Morei no Rio de Janeiro, em São Paulo. Trabalhei e me casei. E me separei. Vivi amores e tenho milhões de projetos.  Até agora escolhi não ter filhos. Não sei se os terei. E quero viver muito e ser feliz.

O discurso de Bolsonaro estimula o retrocesso das mulheres, a volta atrás. A fala verdadeira, a liberdade de escolha, o processo de empoderamento e o direito de ter uma voz, que com tanto esforço adquirimos. O direito de escolher nos relacionar. O direito de ter uma vida sexual. O direito de ser, apenas, uma mulher.

Eu sou Mariana, a história de minhas avós corre por minhas veias. Pelo meu direito de viver, pelo direito de ter voz, pela memória de minhas avós, Ana e Maria, eu grito, com todas as forças e mesmo que muitas vezes, sozinha, #ELENÃO

 

Mariana Queiroz é jornalista e escritora de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. Trabalhou como jornalista e comunicóloga em Bauru, Rio e São Paulo. No momento, quer batalhar por desenvolver a cultura da sua região natal. Pisciana com ascendente em peixes e lua em peixes. Os sonhos a movem. Nada em rios calmos e em mar bravo. Seus pulsos são frágeis, mas seu sorriso é largo como uma boa glutona.

 

Ele não é um mal necessário

Eu ouço o nome dele ou o apelido injustificável “mito” sendo dito para ameaçar as amigas travestis

Antes nem fossem minhas conhecidas, a ameaça ainda me amedrontaria

Não só porque sou mulher, o que já bastaria

Mas somos todas e todos aqueles que se indignam e que sofrem por se importarem e que dizem #elenão; somos os cidadãos identificados como alvo

Somos potenciais presas a lutar enquanto livres para não sermos capturados por um governo na esteira do golpe, dito radicalização justificada ou única mudança possível, mas que é intolerância autoritária e desmonte

Imagino o conforto com que machistas racistas homofóbicos preconceituosos em geral vão apontar dedos ou revólveres ou praticar seus comportamentos mais condenáveis ao se identificarem com o presidente do país

Uma vez o pobre se viu na presidência da república e pôde se sentir digno, tem quem ache que foi ousadia

Quem diz as palavras de ódio quer responder com armas de fogo, prefere ser criminoso, e não dialoga mais

Os de bom senso, eleitores envergonhados dele, crentes no combate a uma ideologia: se abstenham!

Não sejam culpados pela violência que se anuncia

 

Priscila Kerche é participante do Clube da Escrita para Mulheres e escreve no https://medium.com/@priscila.kerche

#elenão

Não, não é dele que eu tenho medo

Ele não passa de um homenzinho zangado

 

O meu medo é do senhor

cidadão de bem

descrente da democracia

cheio de raiva e vazio de empatia

Amparado pelo ódio

em busca de um culpado

louco pra fazer justiça

(a sua justiça)

com uma arma na mão

 

O meu medo é do que ele já fez

com o meu vizinho

meu irmão

Do que ele legitima

do que ele incita o senhor a fazer

 

Eu entendo a sua raiva

de verdade

eu entendo

 

Mas será que o senhor não consegue entender o meu medo?

 

Aline Caixeta