Por que ele não?

Por que ele não?

Como viver em um mundo mergulhado no ódio?
Como não se afogar e sobreviver?
Como resistir?

Como conviver com pessoas,
que por ignorância ou falta de caráter,
legitimam esse mar de ódio

Como viver e criar um filho?
Que futuro sombrio bate à nossa porta?

Como conviver com pessoas próximas,
que desejam abrir as compotas
dessa barragem
Uma caixa de Pandora
encontrada no fundo de um oceano,
que parecia tranquilo

Como viver e respirar?
Ou não respirar e se afogar?
Se afogar não é opção!

Como conviver e sobreviver?
Lutemos pois por águas calmas, cristalinas
Por um futuro próximo
No qual possamos respirar
E criar nossos filhos
Para que outros ditadores mal-acabados
não se arvorem a agitar as águas,
elevar o nível do mar,
inundando de ódio
nosso planeta Terra,
nosso país,
nosso habitat,
nossa casa!
Ele não!

 

Vilma Gama

Poetisa anarquista  -cidadã do mundo –
navega de Manoel de Barros a Maiakóvski –
de Cora Coralina a Cecília Meireles.