Ainda hoje

A gente perde as palavras
quando vê
que a morte
e o medo
são os meios

Os projéteis
enfiam na pele
Impedem a voz
destroem o corpo
perfuram os órgãos
a carne
a vida

Cada um deles
tenta
fazer desaparecer
a presença
de quem
respirava ontem

A morte
está vestida
com roupa de gala
coberta com farda
feita com as fibras
do poder

O silêncio não é quietude
nem sossego
é imposto com balas
facas
sumiços
dor
qualquer dor

Não há calmaria
a esperança
é o alvo

Quem é a autora?

Thaís Campolina

Tem 28 anos, um diploma em Direito, casos para contar e histórias para criar. É escritora, ativista, amante dos livros e apaixonada pela luta pelos direitos humanos. Administra os blogs e as páginas Ativismo de Sofá e Mulheres Notáveis, além de ser uma das organizadoras da Virada Feminista Online. No Medium, colabora com as publicações Mulheres que Escrevem, Revista Subjetiva, TRENDR e Fale Com Elas.