Sobre um país que chora

A náusea é o nojo calmo que se desenvolve do estupor. Este, por sua vez, é a letra trocada de estupro.

Sou inundada do oposto da humanidade pela vociferação da família Bolsonaro que estampa a tortura nas camisetas e chuveiros.
Me vejo chovendo , escorrendo pelo ralo com o sangue da nossa história.
O meu maior susto é olhar isso em minha própria vida.
Meu maior medo é a falta de ar do desnudamento da possibilidade do impensável.
Me vejo pequena, contorcida, implorando por amor pelo amor de nós! Estão rindo da tortura! Estão exigindo pela nossa prisão! Está tão perto a ferida da nossa carne.
Choro por todos os lados e encontro – sempre estão lá – mãos suadas e inquietas que se estendem a mim: há algo de humano inmorrível. Podemos sempre escolher.
A covardia é o medo de quem não o assume. A humilhação é a garganta fechada com nossa própria baba, o tiro de salvação apontado para nossa cara por nossas mãos.
A coragem é o que sempre podemos escolher. É tudo o que nos resta. O som das bombas e dos helicópteros, a voz distante e comportada do locutor de TV são o tecido de nossos ouvidos. Tudo o que nos resta é tudo o que há: coragem. #elenão
Renata Conde

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